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O Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi celebrado ontem (2), e diversas ações relacionadas à data foram realizadas na região de São João da Boa Vista, especialmente no comércio local.
Um dos exemplos é a iniciativa da empresária Camila Mollo, proprietária do restaurante ‘Flor de Mandacaru’, em São João. Durante toda a quarta-feira, foram distribuídos panfletos informativos sobre o Transtorno do Espectro Autista, além de uma recepção preparada especialmente para acolher famílias com membros autistas.
Conversamos com Camila, que tem um filho com autismo grau 3, classificado como severo. Ela compartilhou sua experiência como mãe atípica e trouxe um relato pessoal sobre como percebe o tratamento dado pelo município à população autista.
A empresária explicou que, inicialmente, o evento em seu restaurante se tratava apenas de uma breve recepção informativa para os clientes e distribuição de pirulitos para as crianças, mas que com o boca a boca, acabou tomando grandes proporções e se tornou um ponto de referência para a celebração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
A oportunidade foi utilizada para celebrar a contratação de Caíque, um dos garçons do restaurante, que está no espectro autista.
Ainda segundo Camila, foi realizado um censo “informal” no município que identificou mais de 300 pessoas com autismo severo, o que demonstra a necessidade de políticas públicas voltadas a essa população.
Em seu depoimento, Camila também mencionou a APAE de São João, referindo-se a um episódio ocorrido em 2014, que teve grande repercussão no município.
Segundo a empresária, seu filho Davi (na época, com 10 anos) teria sido contido de maneira inadequada pela equipe da instituição, que o amarrou em uma cadeira de rodas com uma faixa de velcro durante uma crise comportamental.
Com base em suas vivências no universo do espectro autista, Camila também destacou as principais demandas de pais, mães e responsáveis por pessoas com autismo em São João. Ela crava que a mais importante seria a criação de um centro de atendimento especializado para pessoas com autismo.
Camila cita que, há anos, muitas mães de São João compartilham o relato de terem matriculado seus filhos com autismo em unidades escolares que não possuem um profissional dedicado ao cuidado de crianças dentro do espectro, por falta de opção.
Ela diz que o CAPS do município oferece assistência até certo ponto, mas que não utiliza esse serviço pois considera insuficiente. Hoje, Davi não está sob nenhum tratamento.
As questões levantadas por Camila foram enviadas à Prefeitura de São João, que ainda não retornou com respostas.
A administração municipal também não se manifestou sobre o nível de relação que mantém com a APAE.
Matéria publicada em 3 de abril de 2025, às 10h52.